De Carlos Marçalo
Semana nº 951 de 20 a 26 de Novembro de 2009
Analistas de mercado e parceiros aprovam esta movimentação estratégica, que irá permitir acelerar a convergência IP entre o storage e as redes nos centros de dados
Implicações no mercado nacional
O Semana contactou dois dos principais parceiros da HP ProCurve em Portugal para saber como encaram este negócio.
António Fernandes, networking business development da Companhia Portuguesa de Computadores Informática e Sistemas (CPCis) diz que é necessário entender as motivações da HP ao efectuar esta oferta e fazer uma análise sobre dois vectores do negócio, nomeadamente, «o aumento de penetração no mercado na zona Ásia e Pacífico e um eventual aumento de portfolio».
A quota detida pela 3Com em mercados asiáticos emergentes é respeitável. Com esta aquisição, António Fernandes entende que a HP deverá ganhar maior preponderância nestes mercados, além de conquistar eventuais parceiros para o desenvolvimento do negócio. «Esta estratégia não será só referente ao mercado de networking», diz o networking business development da CPCis, acrescentando que abrangerá outros produtos e serviços da HP. Nesse sentido, este negócio poderá ser uma alavanca numa área em que a HP foi pioneira, há muitos anos: o relacionamento tecnológico com a China, onde a 3Com detém parcerias importantes na investigação e desenvolvimento.
No que diz respeito à complementaridade de produtos, António Fernandes reconhece que há zonas de conflito, como a área de LAN Switching e wireless, onde «existe muita sobreposição». Por isso, a tendência será de completar algum portfolio da HP. No entanto, há outras áreas, como a segurança, onde a 3Com tem produtos líderes de mercado, por exemplo, as soluções TippingPoint. E nesta área, tal como nos equipamentos de routing, a divisão ProCurve ainda está a dar os primeiros passos.
Para o networking business development da CPCis, a grande incógnita será nas soluções de telefonia IP, onde, por um lado, a HP tem uma forte parceria com a Avaya, que acaba de comprar a divisão da Nortel, que também tem LAN Switching. Por outro lado, a HP tem tido uma aproximação estratégica à Alcatel-Lucent. A estas movimentações, António Fernandes acrescenta uma outra: a compra de um fabricante com uma solução de VoIP que possui uma quota de mercado ínfima. Depois há uma parceria da HP com a Microsoft para o desenvolvimento conjunto de soluções de comunicações unificadas. Por isso, o responsável da CPCis entende que, «se há alguém no mercado que pode crescer na área de telefonia IP é, sem dúvida, a HP. E ainda pode escolher como e em que segmentos!»